O cheiro de café

Volto à minha infância quando sinto o cheirinho do café sendo coado.

Na memória, lembro aquele pano branco que escureceu com o tempo e, o cheiro que invadia todo o meu ser.

Quando criança, não imaginava que estava registrando algo tão bom! Aquele convívio com minha avó me fez querer aprender a fazer aquele cafezinho, que era tão gostoso.

Na casa da vovó, havia a chamada “despensa”, um cômodo separado onde eram guardados os alimentos, as panelas, os moedores de carne e de café, também os grãos de café já torrados.

Eu, criança, interessei-me em aprender aquela magia de passar o café.

Minha avó prendia o moedor de café na bancada de madeira, regulava a pressão, pois eu não tinha forças para tocar habilmente a manivela.

Fingia por um tempo estar passando o café, e o incrível era que minha avó, apesar de sua pouca paciência me ensinava carinhosamente como passar o café.

Foram momentos inesquecíveis que vivi e dos quais nunca esquecerei.

Hoje ainda lembro do café com broa de fubá. Tendo-os à mesa não os dispenso por nada.

Essa memória estará registrada para sempre em meu coração.

Hairon H. de Freitas

O Sol

Parece Santo

Que o acaso espanta

Acatou a regra

Alimentando a todos

Em momentos oportunos

Me cubro de alegria

Se saio ao encontro

Do mar que me encanta

Ele mede instantes

O calor que estima

Se é bravo conosco

Corro ao encontro do desvio

Deveras acortinado

Feito em hastes de aço

Me facilitando a vida

Grandioso que és

Charmoso com muitos encantos

Agradeço pela manhã

E pela tarde

Sua grandiosa existência

Contudo ainda parece

Um Santo

Com sua brilhosa aureola

A todos iluminando

Hairon H. de Freitas

Soneto da Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinícius de Moraes