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Mensagens para trabalhar o interior.
Constatação do ódio

Estamos num momento difícil, que envolve os assuntos mais sensíveis da sociedade.
Na parte política, podemos dizer que as pessoas estão sendo absorvidas por um modelo elaborado por pensadores e estrategistas que tendem a permanecer no modo de vida implementado há séculos, cujo nome é capitalismo.
Uma das formas de estacionar o mundo num modo ultrapassado de vida é convencer aos demais membros de que mudanças não são boas e que precisamos conservar aquilo que já existe.
Em meio a tantas falas, a tantos argumentos consistentes de progresso, o argumentador que insiste em permanecer e não mudar vem sendo chamado de extremista da direita. Esse extremista é aquele que não convence pela lógica, pois ela não mais condiz com o momento atual em que vivemos. De maneira que o extremista se torna cheio de ódio, numa volúpia constante de insana pressão, vive se retroalimentando de um ódio que ele mesmo adotou.
Nesse sentimento mórbido cultivado nas redes sociais, o ser odioso adoece dia a dia, e lança seus tentáculos a outros que coadunam do mesmo sentimento destruidor.
Viver nos dias atuais requer inteligência, bom senso e disposição em não aderir à cadeia do ódio que vem vilipendiando o cenário político.
As redes sociais que, atualmente, podemos chamar de “redes raivosas”, impulsionam mais e mais os posts acordados pelo extremismo da direita, sendo que, a pessoa que opta em não postar ódio, sente-se com dificuldades de transitar no meio desses criadores e mantenedores da rede, dos criadores de conteúdos mentirosos e das pessoas odiosas que replicam com argumentos do mesmo teor.
A ciência da tecnologia avançou, carece que o comportamento, a moral e a ética avancem ao patamar de um mundo novo, reduzindo esse distanciamento entre as partes.
Hairon H. de Freitas
Antologia Digital
Terra e Mar Tião e Dalina

Tenho uma história pra contar
De seu Tião que vive à beira mar
Pescador de anchova e tainha
Cumpre sua sina de noite e de dia
Seu Tião é rude e paciente
Não se passa por descrente
Casado com dona Dalina
Trabalhou um tempo na salina
Foi onde a conheceu
E onde seu pai morreu
Dona Dalina muito sábia
Levou à frente sua lábia
Provocou em seu Tião
Uma melhora no humor
Que todos os dias pela manhã
Estava sempre com rancor
Seu Tião de abatido
Não estava mais combalido
Pelo carinho de dona Dalina
Sua aura ficou cristalina
Dona Dalina e seu Tião
Tinham crença em Iemanjá
Iam de janeiro a janeiro
Pedir ajuda a orixá
A história desse casal
Gostei muito de contar
Seu Tião e dona Dalina
Todos devemos respeitar
Poema de Hairon H. de Freitas
Fim de ano!

De Mário Quintana

De repente tudo vai ficando tão simples que assusta. A gente vai perdendo algumas necessidades, antes fundamentais e que hoje chegam a ser insignificantes. Vai reduzindo a bagagem e deixando na mala apenas as cenas e pessoas que valem a pena. As opiniões dos outros são unicamente dos outros, e mesmo que sejam sobre nós, não têm a mínima importância.
Vamos abrindo mão das certezas, pois com o tempo já não temos mais certeza de nada. E de repente isso não faz a menor falta. Paramos de julgar, pois já não existe certo ou errado, mas sim a vida que cada um escolheu experimentar.
Por fim entendemos que tudo que importa é ter paz e sossego. É viver sem medo, e simplesmente fazer algo que alegra o coração naquele momento. É ter fé. E só.
O cheiro de café

Volto à minha infância quando sinto o cheirinho do café sendo coado.
Na memória, lembro aquele pano branco que escureceu com o tempo e, o cheiro que invadia todo o meu ser.
Quando criança, não imaginava que estava registrando algo tão bom! Aquele convívio com minha avó me fez querer aprender a fazer aquele cafezinho, que era tão gostoso.
Na casa da vovó, havia a chamada “despensa”, um cômodo separado onde eram guardados os alimentos, as panelas, os moedores de carne e de café, também os grãos de café já torrados.
Eu, criança, interessei-me em aprender aquela magia de passar o café.
Minha avó prendia o moedor de café na bancada de madeira, regulava a pressão, pois eu não tinha forças para tocar habilmente a manivela.
Fingia por um tempo estar passando o café, e o incrível era que minha avó, apesar de sua pouca paciência me ensinava carinhosamente como passar o café.
Foram momentos inesquecíveis que vivi e dos quais nunca esquecerei.
Hoje ainda lembro do café com broa de fubá. Tendo-os à mesa não os dispenso por nada.
Essa memória estará registrada para sempre em meu coração.
Hairon H. de Freitas
O Sol

Parece Santo
Que o acaso espanta
Acatou a regra
Alimentando a todos
Em momentos oportunos
Me cubro de alegria
Se saio ao encontro
Do mar que me encanta
Ele mede instantes
O calor que estima
Se é bravo conosco
Corro ao encontro do desvio
Deveras acortinado
Feito em hastes de aço
Me facilitando a vida
Grandioso que és
Charmoso com muitos encantos
Agradeço pela manhã
E pela tarde
Sua grandiosa existência
Contudo ainda parece
Um Santo
Com sua brilhosa aureola
A todos iluminando
Hairon H. de Freitas
Soneto da Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinícius de Moraes
Tarde de estudos

A tarde bravia
Enche-me de bons momentos
Aturdido estou
Encontrando-me com a dor
Dor que devora minh’alma
Que destroi aos poucos quem sou
De um momento a outro
Sinto-me transformado
Liberto da cela
Quando a luz de uma simples lanterna
Invade meu ser com o saber
Que me aborda
E arrebata a ignorância
Hairon H. de Freitas
